Um time jogará a Copa, mas não com a amarelinha
Matéria sobre Brasileiros que participarão da Copa, mas em outras seleções.
Publicação 'www.brasileconomico.com.br' - Sessão Esportes
Entrevista concedida pela Dra. Ana Paula Dias Marques
O presidente da Fifa, Joseph Blatter, está preocupado. Na Copa do Mundo da África do Sul, pelo menos dez brasileiros devem jogar por seleções estrangeiras - o dobro do número de 2006.
A entidade já elevou de dois para cinco anos o tempo mínimo de trabalho para que um estrangeiro possa integrar a seleção do país onde joga. Mas Blatter quer aumentar ainda mais esse prazo. Teme que a próxima Copa seja disputada, em sua maioria, por atletas naturalizados.
A restrição, porém, fere um direito do jogador e, além do mais, não deve surtir efeito. Por um motivo simples. "Temos muitos talentos que não são absorvidos pelo Brasil e, naturalmente, vão buscar outras oportunidades", explica o professor e ex-preparador físico da seleção brasileira, João Paulo Medina.
"Além disso, o mercado de trabalho está se globalizando e o futebol não tem como remar contra."
A cada ano, cerca de mil brasileiros vão jogar bola no exterior. O processo de naturalização, porém, não é tão simples. Primeiro, claro, o sujeito tem que aprender a língua, os costumes e se adaptar ao novo país.
"Metade dos jogadores volta antes do previsto por dificuldades de adaptação", diz a psicóloga Andrea Sebben, que orienta boleiros na iminência da expatriação.
Nos países da Europa, o tempo mínimo de residência para se naturalizar varia de quatro a oito anos. Quem tem ascendência européia, filhos ou esposa nascidos por lá, consegue acelerar a obtenção da cidadania. É o caso da maioria dos jogadores naturalizados.
O que não muda por país são os direitos, praticamente os mesmos dos cidadãos natos. À pessoa naturalizada, em geral, é vedada apenas a ocupação de cargos como presidente da república, ministro e diplomata.
Jogar na seleção, seja na defesa, no meio ou no ataque, é permitido por lei. Desde que, claro, mostre-se competência para tanto.
Mas a Fifa não entende dessa forma e, como de costume, tenta ser mais realista que o rei. "Cada país tem leis para regulamentar a naturalização e não há motivo para desconsiderar isso", diz a advogada Ana Paula Dias Marques, especialista em direito internacional.
Se é por temor de que a identidade nacional das equipes seja prejudicada, não faltam exemplos que desmentem a tese. Quando não pode defender seu país, é natural que um bom jogador procure outra nação com a qual se identifique. Não é à toa que a seleção portuguesa tem o maior número de brasileiros (três), visto que há diversas afinidades culturais.
O atacante Liédson deve jogar sua primeira Copa após sete anos no país. Restringir naturalizados como ele pode acabar estimulando o racismo. Cotado para a seleção da Itália, o atacante Amauri enfrenta resistência de alguns jogadores. Ídolo da Juventus, ele vive há dez anos no país, onde construiu sua carreira, e obteve a cidadania. Trata-se de um italiano legítimo, daqueles de causar rugas em Blatter.

1. O volante Marcos Senna vai para sua segunda Copa defendendo a Espanha;
2. Fabiano Santacroce foi criado na Itália, joga no Napoli e já foi convocado para amistosos;
3. Cacau, do Stuttgart, já foi convocado e tem grande chance de defender a Alemanha;
4. Deco, meia do Chelsea, vai para a sua segunda Copa com a seleção portuguesa;
5. Leandro Augusto joga no Pumas e defendeu o México nas eliminatórias;
6. Liédson, atacante do Sporting Lisboa, pode disputar sua primeira Copa por Portugal;
7. Pepe, do Real Madrid, tenta se recuperar de uma contusão para ir à Copa;
8. O atacante Amauri, da Juventus, obteve a cidadania italiana e agora aguarda a convocação;
9. O zagueiro Marco Túlio Tanaka, um dos líderes da seleção do Japão, é presença certa no Mundial;
10. O carioca Benny Feilhaber enfrentou o Brasil em 2009 com os Estados Unidos.
Esta matéria foi publicada em 21/03/10 - 07:28 .